Ailton Ferreira Cavalcante · Aracê. 2026 · 2026
DOI: 10.56238/arev8n10-140
Counts differ because each database indexes a different set of publications. We treat OpenAlex as the canonical count; Google Scholar is not shown (no API, and crawling it violates its ToS).
O artigo analisa como fragilidades humanas historicamente associadas à mentira, à ambição, à intolerância e ao desejo de controle adquirem nova escala por meio da inteligência artificial e das redes digitais. A pesquisa possui abordagem qualitativa, natureza exploratória e caráter teórico-interpretativo, com base em revisão bibliográfica e documental. A análise articula literatura, teoria jurídica, psicologia, redes de informação e governança, estabelecendo diálogo entre Machado de Assis, Fernando Sabino, Hans Kelsen, Rui Barbosa, Carl Gustav Jung e Yuval Noah Harari. O Alienista representa o poder daquele que define os critérios de normalidade, enquanto O Grande Mentecapto evidencia a condição do indivíduo reduzido à classificação que lhe foi atribuída. Sustenta-se que os algoritmos não criaram os antigos vícios humanos, mas ampliaram a capacidade de identificá-los, explorá-los e convertê-los em dados, influência e poder. A classificação automatizada pode reduzir pessoas a perfis probabilísticos, ao passo que a personalização informacional favorece a desinformação, a polarização e a modulação da percepção. Como contribuição teórica, propõe-se a governança cognitiva, compreendida como o conjunto de princípios, competências, procedimentos e mecanismos de controle destinados a limitar o poder dos sistemas sociotécnicos de classificar pessoas, selecionar informações e influenciar a formação de percepções e decisões. Conclui-se que a inovação tecnológica somente será legítima quando preservar a dignidade humana, a igualdade material, a contestabilidade, a autonomia na formação da consciência e a responsabilidade humana e institucional pelas decisões.
No comments yet — start the discussion below.