Roberto Meireles · Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research) 2026 · 2026
DOI: 10.5281/zenodo.22906761
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Esta série monográfica reúne o ensaio fundacional e os quatro artigos que desenvolvem a Heurística de Humanidade, proposta voltada ao exame epistemológico, à segurança e à governança de sistemas de Inteligência Artificial. Seu ponto de partida é a possibilidade de que sistemas cada vez mais capazes executem com elevada precisão a partir de uma base que permanece incompleta. O princípio dos 0,01% representa essa margem estrutural de não fechamento: não uma probabilidade ou quantidade mensurável de desconhecimento, mas o reconhecimento de que a formulação atual de um objetivo, modelo ou pergunta pode não conter tudo aquilo que se tornará relevante quando a ação encontrar o mundo. A proposta é organizada pelo sistema-base A₁ + B₁ → C₁ → A₂. A corresponde à base disponível; B executa a partir dela; C reúne efeitos observáveis do encontro com o mundo; e parte desses efeitos participa da base seguinte. O retorno não garante progresso nem exige reformulação automática, mas preserva a possibilidade de que a experiência alcance não apenas a execução, mas também as informações, o enquadramento e, no limite, a própria pergunta que orienta o ciclo. Os quatro artigos aprofundam progressivamente essa arquitetura. O Artigo 1 distingue princípio aberto e princípio fechado segundo o alcance que o retorno pode ter sobre A. O Artigo 2 desenvolve uma taxonomia da insuficiência — execução de B, lacuna informacional, insuficiência de alcance do enquadramento, insuficiência da pergunta e diagnóstico indeterminado — e examina a migração entre hipóteses. O Artigo 3 transpõe seis Camadas do Dual-Reflexivo para uma arquitetura de monitoramento de C, distinguindo detector, filtro, sinalização, convergência, divergência e indeterminação, e separa o limiar do diagnóstico do limiar da ação, relacionando criticidade, alcance e reversibilidade à continuidade de B. O Artigo 4 leva a proposta ao problema da governança: quem interpreta os sinais, define os filtros e possui autoridade para agir sobre A e B, e como essa própria autoridade permanece alcançável pelo exame. A Heurística não pretende oferecer uma solução total para alinhamento ou governança de IA, nem determinar uma autoridade soberana. Sua contribuição é preservar uma condição de examinabilidade: que o aumento da capacidade de executar não elimine a possibilidade de examinar a suficiência da direção que orienta essa execução. A autoridade pode permanecer onde estruturas políticas, jurídicas, institucionais ou sociais a situarem, mas sua posição não deve ser tomada como prova da suficiência da própria régua. A série termina submetendo a própria Heurística ao princípio que propõe. Se sua formulação vier a mostrar-se insuficiente diante da implementação, da crítica ou do retorno da experiência, essa insuficiência deverá participar da pergunta seguinte, em vez de ser excluída para preservar o método.
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